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     Home > Igreja > 2013-05-21 15:22:19
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Papa Francisco, o magistério do testemunho - ouça aqui



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O Papa Francisco continua a suscitar grande entusiasmo pelo seu estilo simples, direto, numa relação muito “humana” e natural com toda a gente que tem ocasião de contactar. Algumas pessoas, porém, interrogam-se sobre aquilo que lhes parece ser a ausência, até agora, de um autêntico magistério papal, como aquele que Bento XVI assegurava com tanta densidade. Vendo melhor, não faltam nas intervenções públicas do Papa Francisco, por palavras e por obras, indicações claras e firmes sobre aquilo que o cristão está chamada a viver, ao nível da fé e do comportamento de cada dia.
Queremos hoje aqui evocar algumas passagens das suas declarações, improvisadas, sábado passado, ao fim da tarde, na vigília de Pentecostes, em resposta a algumas questões que lhe tinham sido apresentadas por representantes de associações laicais e Movimentos eclesiais, presentes em grande número na praça de São Pedro. Um encontro que tinha como tema: 'Eu creio, mas aumenta a nossa fé'. O Santo Padre falou sobre a certeza e confissão da fé, o desafio de evangelizar, a Igreja como resposta à sociedade atual.
A primeira pergunta era sobre a sua experiência de crente: como chegou à certeza da fé e como vive a fragilidade da fé. Papa Francisco referiu a avó como a principal testemunha que lhe transmitiu a fé cristã, na família e apelou às mulheres para que sintam o “amor na transmissão da fé”. Sobre a fragilidade da fé, Francisco considerou que, no caso da fé, o maior inimigo não é a fragilidade, mas sim o medo.
“Não tenhais medo! Somos frágeis, e sabemo-lo, mas Ele (o Senhor) é mais forte. Se vais com Ele, não há problema… ... quando temos demasiada confiança em nós próprios, somos cada vez mais frágeis, mais frágeis. Sempre com o Senhor! E dizer com o Senhor quer dizer com a Eucaristia, com a Bíblia, com a oração… É o que eu penso sobre a fragilidade, pelo menos é a minha experiência. Uma coisa que me dá força, todos os dias, é rezar o terço a Nossa Senhora. Sinto uma força muito grande”.
A segunda questão era: “Como comunicar de modo eficaz a fé, hoje?” Papa Francisco respondeu que o mais importante no desafio da evangelização se resume em três palavras: “Jesus, oração e testemunho”. E insistiu sobre o testemunho do cristão:
“Só com o testemunho se pode comunicar a fé. E isto é o amor. Não com as nossas ideias, mas com o Evangelho vivido na própria existência e que o Espírito Santo faz viver dentro de nós. É como uma sinergia entre nós e o Espírito Santo, e isto conduz ao testemunho. A Igreja, são os Santos que a fazem avançar, porque são eles que dão este testemunho”.

Sobre a crise do nosso tempo, o Papa sublinhou que não é uma crise só económica ou cultural. Olhando para uma Igreja que "quer pobre e para os pobres”, o Santo Padre apelou a uma comunidade aberta aos outros.
"O que está em crise é o Homem! E o que pode ser destruído é o homem. Mas o Homem é imagem de Deus, por isso é uma crise profunda. Neste momento de crise profunda, não podemos preocupar-nos apenas de nós mesmos, fecharmo-nos na solidão, no desânimo, no sentimento de impotência perante os problemas. Não fechar-se, por favor! É este o perigo: fechamo-nos na paróquia, com os amigos, no movimento, com aqueles com os quais pensamos as mesmas coisas… Mas sabeis o que acontece? Quando a Igreja se fecha, adoece, fica doente”.
“A Igreja tem que sair de si mesma. Para onde? Em direcção às periferias existenciais, quaisquer que estas sejam. Sair! Jesus diz-nos: Ide por todo o mundo! Ide! Pregai! Dai testemunho do Evangelho! E o que acontece se alguém sai de si mesmo? Pode acontecer a quem segue por uma estrada: pode ter um acidente. Mas eu digo-vos: prefiro mil vezes uma Igreja acidentada, que sofreu um acidente, do que uma Igreja doente por estar fechada!”
Como tinha feito já, na semana passada, noutras duas circunstâncias, o Papa Francisco contou “uma história”, um “midrash” bíblico de um rabino do século XII, a propósito do episódio da Torre de Babel. Era necessário preparar bem os tijolos. E quando estavam prontos, havia que os transportar até à parte mais alta da construção. Às vezes acontecia caírem ao chão e perderem-se. Era um drama, uma tragédia! Castigavam severamente o operário.
“Era tão precioso um tijolo, que se um caía, era um drama. Mas se caía um operário, não fazia mal, era outra coisa. É o que sucede hoje: se caiem um pouco os investimentos nos bancos… tragédia… como é possível?! Mas se as pessoas morrem de fome, se não têm saúde, não faz mal! É esta a nossa crise de hoje! E o testemunho de uma Igreja pobre e para os pobres vai contra esta mentalidade.”




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