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Sumario del 02/01/2017

Papa e Santa Sé

Igreja no Brasil

Igreja no Mundo

Formação

Atualidades

Papa e Santa Sé



Papa a bispos: pode-se viver alegria cristã ignorando gemido das crianças?

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Cidade do Vaticano (RV) - “Hoje, entre o nosso povo, infelizmente, ouve-se ainda a lamentação e o pranto de tantas mães, de tantas famílias, pela morte dos seus filhos, dos seus filhos inocentes”: é o que afirma o Papa Francisco na Carta enviada aos bispos do mundo inteiro por ocasião da Festa dos Santos Inocentes, celebrada na última quarta-feira, 28 de dezembro. 

“Faz-nos bem ouvir uma vez mais este anúncio; ouvir dizer de novo que Deus está no meio do nosso povo. Esta certeza, que renovamos de ano para ano, é fonte da nossa alegria e da nossa esperança.” Como pastores – evidencia – “fomos chamados para ajudar a fazer crescer esta alegria no coração do nosso povo. É-nos pedido que cuidemos desta alegria”, exorta Francisco.

A nosso malgrado, o Natal é acompanhado também pelo pranto, observa o Pontífice lembrando que os evangelistas anunciam-nos o nascimento do Filho de Deus envolvido também numa tragédia de dor.

O evangelista Mateus apresenta-nos essa tragédia com grande crueza, citando o profeta Jeremias: «Ouviu-se uma voz em Ramá, uma lamentação e um grande pranto; é Raquel que chora os seus filhos» (2, 18). É o gemido de dor das mães que choram a morte de seus filhos inocentes, causada pela tirania e desenfreada sede de poder de Herodes.

Trata-se de “um gemido que podemos continuar a ouvir também hoje, que nos toca a alma e que não podemos nem queremos ignorar ou silenciar”, acrescenta o Santo Padre na Carta aos bispos.

“Contemplar o presépio, isolando-o da vida que o circunda, seria fazer do Natal uma linda fábula que despertaria em nós bons sentimentos, mas privar-nos-ia da força criadora da Boa Nova que o Verbo Encarnado nos quer dar”, observa o Papa, advertindo que essa “tentação existe”.

“Pode-se viver a alegria cristã, voltando as costas a estas realidades? Pode-se realizar a alegria cristã, ignorando o gemido do irmão, das crianças?” – pergunta-se Francisco.

“Hoje, tendo por modelo São José, somos convidados a não deixar que nos roubem a alegria; somos convidados a defendê-la dos Herodes dos nossos dias.” A coragem para a proteger dos novos Herodes dos nossos dias, que malbaratam a inocência das nossas crianças.

“Uma inocência dilacerada sob o peso do trabalho ilegal e escravo, sob o peso da prostituição e da exploração. Inocência destruída pelas guerras e pela emigração forçada com a perda de tudo o que isso implica. Milhares de crianças nossas caíram nas mãos de bandidos, de máfias, de mercadores de morte cuja única coisa que fazem é malbaratar e explorar as suas necessidades.”

Apenas como exemplo, hoje, por causa das emergências e das crises prolongadas, 75 milhões de crianças tiveram de interromper sua instrução, cita Francisco na missiva enviada aos bispos, trazendo outros dados:

“Vivemos num mundo onde quase metade das crianças que morrem com menos de 5 anos é por desnutrição. Calcula-se que, no ano de 2016, 150 milhões de crianças realizaram um trabalho infantil, muitas delas vivendo em condições de escravidão.”

“Segundo o último relatório elaborado pelo UNICEF – acrescenta o Papa –, se a situação mundial não mudar, em 2030 serão 167 milhões as crianças que viverão em pobreza extrema, 69 milhões de crianças com menos de 5 anos morrerão entre 2016 e 2030, e 60 milhões de crianças não frequentarão a escolaridade básica.”

Em seguida, o Santo Padre faz uma premente exortação aos bispos do mundo inteiro:

“Ouçamos o pranto e a lamentação destas crianças; ouçamos também o pranto e a lamentação da nossa mãe Igreja, que chora não apenas pela dor provocada aos seus filhos mais pequeninos, mas também porque conhece o pecado de alguns dos seus membros: o sofrimento, a história e a dor dos menores que foram abusados sexualmente por sacerdotes.”

“Pecado que nos cobre de vergonha. Pessoas que tinham à sua responsabilidade o cuidado destas crianças, destruíram a sua dignidade. Deploramos isso profundamente e pedimos perdão. Solidarizamo-nos com a dor das vítimas e, por nossa vez, choramos o pecado: o pecado que aconteceu, o pecado de omissão de assistência, o pecado de esconder e negar, o pecado de abuso de poder.”

Também a Igreja chora amargamente este pecado dos seus filhos e pede perdão, afirma o Papa aos bispos, expressando o desejo de renovar junto com eles o “empenho total para que tais atrocidades não voltem a acontecer entre nós”.

“Revistamo-nos da coragem necessária para promover todos os meios necessários e proteger em tudo a vida das nossas crianças, para que tais crimes nunca mais se repitam. Assumamos, clara e lealmente, a determinação «tolerância zero» neste campo”, exorta o Papa afirmando, ainda, que “a alegria cristã não é uma alegria que se constrói à margem da realidade, ignorando-a ou fazendo de conta que não existe”.

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Parolin preside Exéquias do Núncio Dom Justo Mullor García

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Cidade do Vaticano (RV) – Na manhã desta segunda-feira (02/01) foram celebradas as Exéquias do Arcebispo Justo Mullor García, Núncio Apostólico, falecido na sexta-feira, 30 de dezembro.

O rito foi presidido pelo Cardeal Secretário de Estado, Pietro Parolin, na Capela do Governatorato

Concelebraram os Cardeais James Francis Stafford, Santos Abril y Castelló, Giuseppe Bertello e Beniamino Stella e os Arcebispos Paul Richard Gallagher, Secretário para as Relações com os Estados Jan Romeo Paw┼éowski, delegato para as Representações Pontifícias, Giampiero Gloder, Presidente da Pontifícia Academia Eclesiástica ecclesiastica,  e o Assessor da Secretaria de Estado Mons. Paolo Borgia.

Estava presente o Cardeal Julián Herranz, junto a numerosas pessoas que haviam conhecido o Arcebispo Mullor García e tinham, de diversas maneiras, colaborado com ele no serviço diplomático da Santa Sé e na Pontifícia Academia Eclesiástica por ele presidida de 2000 a 2007.

(JE/Osservatore Romano)

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Paróquia em Aleppo agradece esforços do Papa pela paz

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Cidade do Vaticano - O Papa recebeu uma carta da Paróquia de São Francisco em Aleppo, na Síria, na qual pede suas orações pela comunidade e em especial “pelas muitas crianças que não conhecem nada mais do que a guerra”.

Na carta pede-se a benção de Francisco e o dom da paz para aquela comunidade, e para toda a população síria, durante o Dia Mundial da Paz que se celebrou neste domingo.

A Síria vive em um clima de guerra civil há mais de cinco anos, na sequência de um conflito entre o governo do Presidente Bashar al-Assad e grupos rebeldes contrários ao regime. Uma guerra que já provocou centenas de milhares de mortos e milhões de refugiados e deslocados.

Nos últimos dias, as tropas sírias retomaram o controlo da cidade de Aleppo, um dos territórios mais importantes do país e também mais atingidos pelos combates.

A carta enviada ao Papa é assinada pelo pároco de São Francisco, em Aleppo, o Padre Ibrahim Alsabagh que aponta as crianças como o grupo que “mais tem sofrido com esta guerra”.

“Muitas conhecem apenas esta realidade, outras nasceram no meio dos bombardeamentos. Estão sujeitas a uma enorme pressão psicológica, à subnutrição, à falta de água, de eletricidade e medicamentos, à fome e ao frio”, frisou aquele responsável.

O sacerdote agradece os apelos à não-violência do Papa Francisco, reforçados na mensagem para o Dia Mundial da Paz.

“Muito obrigado por sempre nos ter acompanhado(...) No meio desta guerra, queremos ser embaixadores do perdão. Jesus ensinou-nos esta atitude, com o seu exemplo. Ele perdoou os seus carrascos”, escreve o pároco. (SP)

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Terremoto atinge de novo a Itália, antes de audiência especial no Vaticano

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Spoleto (RV) – O medo volta à região central italiana. Durante a madrugada desta segunda-feira (2) foram registrados oito novos abalos sísmicos que, felizmente, não fizeram feridos ou grandes danos materiais. Segundo o Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia (INGV), o terremoto mais forte foi de magnitude 4.1 na Escala Richter a poucos quilômetros da cidade de Spoleto, província de Perugia. A área atingida “é caracterizada por uma periculosidade sísmica elevada”.

Especialistas dizem que se trata de uma  nova falha, distinta daquela que provocou o terremoto de 24 de agosto em Amatrice e que deixou quase 300 mortos. Porém, uma boa notícia é que as comunidades que sofreram com o terremoto serão recebidas pelo Papa Francisco na próxima quinta-feira, 5 de janeiro, para uma audiência especial. 

Terremotos contínuos e estresse das pessoas

O bispo de Spoleto-Norcia, Dom Renato Boccardo, em entrevista à Rádio Vaticano, comentou que a situação é sempre aquela de “uma certa apreensão e preocupação, porque o terremoto não chega nunca ao final”. Desta vez, por sorte, os danos materiais não são tão graves, comenta Dom Renato, mas o que se revela é “o estresse das pessoas” que sofrem com essa repetição de tremores.

Dom Renato – Através da Caritas diocesana estamos ajudando os agricultores e os pequenos empreendedores. Em paralelo aos centros pastorais colocados à disposição das comunidades atingidas, já que não podemos mais falar de igrejas paroquiais que não existem mais nem em Norcia nem em Cássia, é importante que as atividades voltem a uma certa normalidade. Não se pode viver num estado contínuo de emergência! Por isso existem diversas atividades da paróquia que, aos poucos, voltam a um regime quotidiano de normalidade.

Audiência especial com o Papa

O bispo de Spoleto-Norcia comenta a relação de proximidade entre o Papa e as comunidades atingidas pelo terremoto, sobretudo com o encontro do próximo dia 5 de janeiro no Vaticano.

Dom Renato – Ficamos muito surpresos positivamente pelo convite que chegou: “O Santo Padre deseja encontrar as comunidades atingidas pelo terremoto”. Depois da sua visita às cidades que sofreram com o sismo, em 4 de outubro, depois da sua participação através de telefonemas feitos a nós, bispos, depois desses tantos gestos de proximidade, acredito que será um momento em família. Aquela proximidade que o Papa manifestou muitas vezes se fará novamente visível e também tangível: o Papa com aquelas pessoas que levam direta ou indiretamente as consequências e as feridas do terremoto. Certamente a palavra do Papa será uma palavra de consolação, de esperança e não somente de proximidade, e de quem precisamos tanto.

(Giulia Angelucci/AC)

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Igreja no Brasil



CNBB: Mensagem de Paz e Esperança para 2017

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Brasília (RV) - No primeiro dia de 2017, foi divulgada a Mensagem de Paz e Esperança da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dirigida a todos os brasileiros e brasileiras. Recordando a crise ética, a necessidade de construção de um país justo e fraterno e a adoção de medidas justas para a superação da crise econômica e dos problemas sociais, a CNBB afirma que todos são “convocados a colaborar, num esforço inadiável, para a construção de uma sociedade justa e pacífica, preservando e defendendo a ordem constitucional e rejeitando a violência nas suas variadas formas”. Para a entidade, o caminho da Esperança e da Paz necessita do diálogo, da não-violência e do efetivo compromisso das instituições democráticas.

Leia o texto na íntegra:

MENSAGEM DA CNBB POR OCASIÃO DO NOVO ANO

“Eu vos disse estas coisas para que, em mim, tenhais a paz” (Jo 16,33)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, por ocasião do início do Novo Ano e da comemoração do Dia Mundial da Paz, dirige a todos os brasileiros e brasileiras sua mensagem de Paz e Esperança.

Segundo a concepção bíblica, a Paz, dom de Deus, é fruto da justiça, do amor e da misericórdia; é o fundamento de uma ordem social duradoura e segura. A Esperança, por sua vez, alicerçada na fé, faz desejar o Reino dos Céus. Ela se expressa através do compromisso com a construção de uma nova vida e de um mundo novo. Sendo assim, iluminados pela fé em Cristo, somos chamados a caminhar na Esperança e a contribuir na construção da Paz.

Desejosos da Paz e fortalecidos pela Esperança, constatamos que o povo brasileiro é trabalhador, valoriza a honestidade, sonha com uma sociedade fraterna e solidária; fica indignado com as injustiças e manifesta perplexidade diante dos escândalos que assolam nosso país. 

Vivemos uma profunda crise ética. Sua face mais visível é a corrupção, com prejuízos inestimáveis para a Nação, principalmente para os mais pobres. Reiteramos o nosso repúdio a quaisquer formas de corrupção e reafirmamos a necessidade de continuar a combatê-la com rigor, respeitando-se sempre o ordenamento jurídico do Estado Democrático de Direito. 

Fruto da crise ética é o descrédito com a política partidária. Posturas que privilegiam interesses pessoais, partidários e coorporativos, em detrimento do bem-comum, debilitam o Estado e alimentam as injustiças sociais. Necessitamos de um novo modo de fazer política, a serviço do povo. A credibilidade da política exige o resgate da ética.  

Na construção de um País justo e fraterno, faz-se necessário sempre o respeito à ordem democrática. A nação brasileira perde com a desestabilidade institucional. A superação da crise política e econômica necessita do relacionamento autônomo e harmonioso entre os Poderes públicos. Apelamos aos responsáveis pelos Poderes da República a zelarem pela constitucional independência e harmonia dos mesmos. 

As dificuldades econômicas e os problemas sociais exigem a adoção de medidas justas para a sua superação. Contudo, o ônus desse processo não deve jamais recair sobre os mais pobres e fragilizados. É preciso sempre assegurar e defender os direitos dos pobres e dos trabalhadores. 

A Esperança e o compromisso com a justiça nos levam a construir a Paz. O povo brasileiro possui capacidade para superar a crise econômica e política. Todos somos convocados a colaborar, num esforço inadiável, para a construção de uma sociedade justa e pacífica, preservando e defendendo a ordem constitucional e rejeitando a violência nas suas variadas formas. O caminho da Esperança e da Paz necessita do diálogo, da não-violência e do efetivo compromisso das instituições democráticas. 

Isentos de vinculações partidárias, motivados pelos valores do Evangelho e pelo sentimento democrático inspirado na Constituição, a CNBB continuará, juntamente com outras entidades, a colaborar na importante e urgente tarefa de buscar soluções para o Brasil.

As palavras do Papa Francisco, na sua Mensagem para o 50o Dia Mundial da Paz, hoje celebrado, sirvam de estímulo e orientação: “Desde o nível local e diário até o nível da ordem mundial, possa a não-violência tornar-se o estilo característico das nossas decisões, dos nossos relacionamentos, das nossas ações, da política em todas as suas formas. (...) No ano de 2017, comprometamo-nos, através da oração e da ação, a tornar-nos pessoas que baniram dos seus corações palavras e gestos de violência e a construir comunidades não-violentas que cuidem da casa comum. (...) Todos podem ser artesãos da paz”. 

A Paz e a Esperança do Menino Deus nos acompanhem ao longo deste Novo Ano, no qual celebramos os 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, nossa Padroeira! 

Feliz Ano Novo!

Brasília, 1° de janeiro de 2017

 

Dom Sergio da Rocha

Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB

 

Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger

Arcebispo de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB

 

Dom Leonardo Ulrich Steiner

Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB

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Igreja no Mundo



Dom Zenari: 2017 poderá ser o ano da mudança para a Síria

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Damasco (RV) – Na Síria permanece frágil a trégua alcançada em 30 de dezembro, graças à mediação da Rússia e Turquia com o aval do Iran, excetuando-se, no entanto, a guerra contra o Estado Islâmico. De fato, caças russos e turcos continuam a bombardear as bases jihadistas em território sírio. Também a aviação de Assad bombardeia bases islamistas no norte de Damasco, área excluída do cessar-fogo.

Mesmo neste contexto se olha com esperança para as conversações de paz que terão lugar no Cazaquistão, no máximo dentro de um mês. Mas sobre a situação vivida no país, a Rádio Vaticano entrevistou o Núncio Apostólico na Síria, o Cardeal Mario Zenari:

“Gostaríamos que esta trégua representasse uma reviravolta. É um sinal de uma certa esperança: vive-se neste clima. Naturalmente é necessário também andar com muita, muita cautela, porque a trégua – como se sabe – não diz respeito a todos os grupos armados. E depois se viu, justamente nas primeiras horas do ano novo, na vizinha Turquia, este ato de terrorismo. Portanto, é necessário caminhar ainda muito, muito cautelosamente. Porém eu diria que as pessoas têm respirado com certo alívio. É importante também que a esperança não seja sepultada. Eu sempre digo: “Manter viva a esperança!”. Mas é necessário ser prudentes, porque ainda – em alguns lugares – existem combates, bombardeios. Aqui em Damasco, por exemplo, grande parte da capital, há cerca de uma semana está sem água corrente, porque – daquilo que se diz – foram danificados os depósitos; e em grande parte da cidade, também falta eletricidade. Respira-se com certo alívio em Aleppo. Também as nossas comunidades estão vivendo estas festividades natalícias com um cero clima de serenidade que não existia há anos. Existe este clima de confiança e de otimismo, mesmo que – repito  novamente – seja necessário ter muita cautela”.

RV: O Papa, no seu último apelo em favor da Síria, fez votos de que a comunidade internacional trabalhe ativamente pela paz...

“Sim, aqui é muito importante que a Comunidade internacional chegue a um acordo. Nestes últimos seis anos assistimos, infelizmente, a uma divisão no seio da comunidade internacional e em particular no seio do Conselho de Segurança. E estas divisões não ajudaram a encontrar o caminho da paz. Ultimamente, nestes últimos dias, foram votadas por unanimidade algumas Resoluções no seio do Conselho de Segurança: esperamos que isto seja um sinal forte, que possa contribuir para uma reviravolta. Esperamos que 2017 marque realmente o ano da mudança. Naturalmente, há muito a ser feito, mas importante é que cesse a violência. É tempo de curar as feridas profundas – feridas muito profundas! – quer do ponto de vista físico, mas diria também – e sobretudo – as feridas muito profundas na alma e no espírito. É necessário colocar a mão e curar todas estas várias feridas”.

 RV: As esperanças, portanto, para 2017, são muito fortes...

“Eu diria que sim. Mas devem ser alimentadas: todas as comunidades cristãs, nestes dias natalinos, alimentam esta esperança com a oração, indicando o caminho da reconciliação, do perdão, como nos ensina o Senhor no Evangelho. Naturalmente o caminho é ainda muito longo e diria que é uma subida. Porém, se vê algum sinal de esperança para o futuro. E desejamos que, com a ajuda de Deus e da Comunidade internacional, estas sementes de esperança possam crescer e que possamos ver o quanto antes frutos de reconciliação e de paz”.

(je/sc)

 

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Falece aos 94 anos Dom Hilarion Capucci, uma voz pelo Oriente Médio

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Roma (RV)  - Faleceu em Roma na noite de domingo (1º/01), aos 94 anos, o Arcebispo de rito greco-católico Hilarión Capucci, um dos grandes defensores do povo palestino e voz ativa na luta contra o terrorismo na Síria.

Nos últimos anos, quando a guerra começou a desfigurar sua amada terra, não obstante a idade avançada participava de todas as manifestações públicas, conferências e debates sobre o tema. A cada domingo, participava da missa na Basílica de Santa Maria em Cosmedin, em Roma. Era um construtor de pontes, especialmente com os muçulmanos.

Presentes na câmara ardente em Roma, a Embaixadora da Palestina na Itália, Dra. Mai Alkaila, o Presidente da comunidade síria na Itália, Dr. Jamal Abo Abba e representantes de movimentos pela Síria, como o FES (Frente Europeia pela Síria).

Nascido em Aleppo, na Síria, em 1022, o religioso foi bispo da Igreja Católica em Jerusalém desde 1965, sendo detido pelas autoridades israelenses em 1974 e condenado a 12 anos de prisão por tráfico de armas. Quatro anos mais tarde foi libertado e exilado, passando a viver em Roma

Patriarca Greco-melquita

O Patriarca Greco-melquita de Antioquia e de todo o Oriente Gregorio III lamentou a perda de Dom Capucci, afirmando que “foi um herói da causa palestina, pela qual lutou durante toda sua vida”, informou o jornal árabe Asharq Al Awsat.

Presidente da Autoridade Palestina

O Presidente palestino, Mahmoud Abbas também lamentou a morte do Arcebispo, que passou quatro anos na prisão por entregar armas aos palestinos.

Abbas – segundo comunicado a Agência estatal Wafa - recordou que Capucci “era conhecido pela defesa dos direitos do povo palestino”, um “Valente lutador”.

Israel

O digital israelense Times, por sua vez, recordou do falecimento do “bispo que contrabandeou armas para os palestinos”.

Dom Capucci, segundo o jornal israelense, foi Vigário Patriarca de Jerusalém e Arcebispo da cidade israelense de Cesárea, no noroeste, além de fervoroso defensor da causa palestina, tendo sido condenado por contrabando de armas que entregava à guerrilha de Al Fatah, o principal grupo da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), utilizando o status diplomático.

Depois de passar quatro anos na prisão e depois da intervenção do Vaticano, foi libertado e viajou a Roma, onde continuou defendendo os direitos dos palestinos, tendo participado em 2009 e 2010 das flotilhas que tentaram romper o bloqueio à Gaza.

(Je/Agências)

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Irmãos Maristas celebram 200 anos de fundação

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Roma (RV) - Os Irmãos e Leigos Maristas celebram, nesta segunda-feira (02/01), em todo o mundo, o bicentenário de fundação de seu instituto.

Há 200 anos São Marcelino Champagnat fundou, em La Valla, na França, o Instituto com o nome de “Irmãozinhos de Maria”, com o objetivo de educar e evangelizar as crianças e os jovens, especialmente os mais necessitados.

O Vaticano aprovou a instituição como Instituto autônomo e de direito pontifício. Respeitando o nome original, deu aos Irmãos o nome de Irmãos Maristas do Ensino.

Hoje, divididos em 27 unidades administrativas, existem 3.080 Irmãos Maristas, presentes em 81 países. Junto a aproximadamente 72.000 leigos, educam cerca de 654.000 crianças e jovens.

Gratidão

Na mensagem enviada aos maristas de Champagnat, por ocasião do Bicentenário, o Superior Geral, Ir. Emili Turú, sublinhou três palavras: gratidão, perdão e compromisso. Três atitudes básicas para uma conversão pessoal e institucional que faça possível um novo começo.

“Este é um momento muito adequado para expressar nossa alegria e nosso agradecimento a Deus pelo dom de Marcelino Champagnat à sua Igreja e ao mundo”, disse o Ir. Emili. “Gratidão por haver suscitado, por seu intermédio, uma nova família religiosa para dar a conhecer Jesus Cristo e fazê-lo amar pelas crianças e jovens, especialmente os que estão em situação de marginalização”, continuou.

Perdão

Na vídeo-mensagem, o superior pede perdão pelas vezes que os maristas não souberam proteger as crianças e enfatizou o compromisso a salvaguardar os jovens, especialmente os que se encontram em situação de pobreza e vulnerabilidade.

Por último, apelando ao compromisso, o Ir. Emili sublinhou que “queremos nos dar a oportunidade de um novo começo, assumindo o melhor do passado e abertos à novidade do Espírito de Deus”.

Compromisso

Durante o ano de 2017, em nível internacional, o Conselho Geral dos Irmãos maristas decidiu celebrar esse evento em três momentos especiais:

Nesta segunda-feira (02/01), data que liga o instituto ao passado, o conselho geral comemora este evento estando presente em diferentes partes do mundo marista, destacando a internacionalidade do Instituto: em La Valla, em Nairóbi, em Luján (Argentina), em Roma. O Ir. Emili Turú inaugura, em Bangladesh, uma escola para os filhos de trabalhadores das plantações de chá. 

Em 6 de junho próximo, em Roma, a intenção é celebrar o presente, em comunhão eclesial. Nesse dia serão apresentados os 3 volumes de História do Instituto e inaugurada uma exposição fotográfica sobre o Instituto hoje.

No dia 8 de setembro próximo, em Rionegro, Colômbia, na abertura do Capítulo Geral, se contará com a representação de todas as Unidades Administrativas do mundo. “Será uma ocasião ímpar para dar graças, pedir perdão, mas, acima de tudo, comprometer-nos com o futuro”, disse Ir. Emili.

Os maristas comemoram também o bicentenário nas redes sociais, usando o hashtag #MillionMarists com o objetivo de unirem-se, em todo o mundo, em uma única voz.

(MJ/ http://www.champagnat.org)

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Taizé: Em Birmingham, com "um tesouro escondido"

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Londres (RV) – Em colaboração com as Igrejas locais, a comunidade de Taizé guiará um encontro de jovens em Birmingham, na Inglaterra, de sexta-feira, 28 de abril, à segunda-feira, 1º de maio de 2017.

Estará presente no encontro o Prior da comunidade ecumênica Ir. Alois, Prior da comunidade ecumênica, que se pronunciará durante as orações da tarde em alguns locais de culto do centro da cidade.

Em dez pontos de acolhida, pessoas de diversas comunidades já estão trabalhando para preparar o programa e os alojamentos para os participantes. No sábado e na tarde de domingo serão realizadas visitas, workshops e fóruns sobre uma vasta gama de temas.

“Nos traços de uma série de eventos internacionais que marcaram as divisões de nossas sociedades – lê-se em um comunicado – desejamos celebrar a beleza do compromisso vivido por muitos cristãos e outras pessoas de boa-vontade. Com meio muito simples, contribuem para a construção da confiança e da comunidade, acreditando num futuro diferente. Birmingham é uma cidade jovem e etnicamente diversificada: um bom lugar para fazer isto”.

Um apelo anexado ao convite para participar do encontro, tem por título “Carregas contigo um tesouro escondido”.

O encontro se realiza com o encorajamento do Arcebispo de Birmingham, Bernard Longley, do Bispo anglicano Davi Urquhart, do Reverendo metodista Ian Howarth e de representantes de outras Igrejas cristãs.

(JE/Osservatore Romano)

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Bispos estadunidenses: matrimônio é construção do bem comum

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Washington (RV) - Um homem que constrói uma casa, tijolo por tijolo, com amor e paciência: essa é a imagem de abertura do vídeo preparado pela Conferência Episcopal dos EUA para reiterar a importância da família.

Importância do matrimônio entre homem e mulher

Idealizado, em particular, pela Subcomissão episcopal para a promoção e a defesa do matrimônio, presidida por Dom James D. Conley, o vídeo intitula-se “Feito para o bem comum” e apresenta testemunhos de especialistas em vários setores, os quais ressaltam a importância do matrimônio entre homem e mulher, tanto para os filhos quanto para a sociedade em geral.

Se o matrimônio não é tutelado, a sociedade sofre

Todos devemos levar em consideração a importância do matrimônio, o laço único entre homem e mulher como fundamento da família e da sociedade. Efetivamente, quando o valor do matrimônio não é compreendido ou defendido, toda a sociedade sofre as consequências disso”,  afirma Dom Conley.

Iniciativas multimídia

Recorda-se que o vídeo “Feito para o bem comum” é parte da iniciativa “O matrimônio: único para uma razão” que quer promover e explicar o dom especial da união sacramental entre homem e mulher.

Os outros vídeos da série intitulam-se: “Feitos um para o outro”, dedicado às diferenças sexuais masculinas e femininas e a sua complementariedade; “Feitos para a vida” sobre a procriação e “Feito para a liberdade” centralizado no impacto que as novas definições – atualmente em voga – do matrimônio têm sobre a liberdade religiosa.

Os bispos convidam à difusão de tais vídeos nas paróquias, nas famílias, nas escolas, de modo a estimular uma reflexão apropriada sobre os vários temas afins. (RL)

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Formação



A mensagem de Ano Novo do Cardeal Tempesta

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Rio de Janeiro (RV) - O Arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta, gravou uma mensagem de Ano Novo especial para quem segue as mídias vaticanas.

Assista:

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Depois de 500 anos, Governo da Noruega separa-se da Igreja Luterana

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Oslo (RV) – A Igreja Luterana Noruega deixa de depender de forma direta do Estado a partir desta segunda-feira (02/01), depois de um processo iniciado na década passada. Assim, a Noruega se converterá oficialmente em um Estado laico

Os mais de 1.700 pastores e ocupantes de outras funções eclesiásticas deixarão de ser funcionários públicos nomeados pelo Estado, que até agora, dirigia em última instância a Igreja.

O Rei Haroldo V, assim,  não será mais a máxima autoridade da Igreja e desaparecerá também a obrigação formal de que metade do Governo professe a religião protestante.

A medida foi aprovada por unanimidade na forma de lei  pelo Parlamento norueguês em maio passado, oito anos depois que a maioria da Câmara chegou a um acordo que levou à introdução de varias modificações na Constituição de 2012.

A Igreja Luterana da Noruega considera esta como a maior mudança organizacional em seus quinhentos anos de história e que a colocará em pé de igualdade com a Igreja Luterana na Suécia, que já havia aprovado no início deste século a separação do Estado, algo que não aconteceu na Dinamarca, outro país nórdico de maioria protestante.

Mesmo que as duas instituições estejam a partir de agora formalmente separadas e a protestante não seja mais religião oficial, a Igreja Luterana ainda será considerada como “a Igreja Nacional norueguesa e será apoiada como tal pelo Estado”, segundo consta na Constituição após as últimas modificações.

Esta formulação havia sido criticada por várias vozes da sociedade deste país escandinavo.

“Não se trata de uma separação real. O Parlamento deu um passo em frente desta vez, porém não suficientemente largo”, criticou na última semana em Oslo a Secretária Geral da Associação humanista Noruega, Kristin Mile.

Esta organização – o terceiro grupo confessional do país, com cerca de 86 mil membros - sustenta que enquanto se mantiver esta formulação, a Igreja Luterana continuará sendo, na prática, estatal, e vinculará os noruegueses a uma determinada confissão.

Mesmo querendo eliminar este artigo da Constituição no futuro, os “humanistas” reconhecem que não têm apoio parlamentar suficiente para tal, como ficou evidenciado no ano passado, quando somente três forças políticas menores – liberais, socialistas e verdes – respaldaram uma lei mais ambiciosa.

A Noruega, assim como outros países escandinavos, tem assistido a uma diminuição dos membros da Igreja Luterana. Somente em 2015, 15.486 membros deixaram oficialmente a instituição, uma cifra recorde. Não obstante, tem 3,76 milhões de fieis, 72% da população.

Os católicos e muçulmanos somam 622 mil membros, cerca de 11% da população.

Mesmo com a entrada em vigor da nova lei, as autoridades norueguesas destinaram 1.900 milhões de coroas (209 milhões de euros) à Igreja Luterana para este ano, cerca de 3,3% a mais do que em 2016.

(JE/Vanguardia)

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Papa Francisco e a contribuição da Igreja na América Latina

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Cidade do Vaticano (RV) - Amigo ouvinte, o quadro “O Brasil na Missão Continental” tem trazido nestes dias a participação do bispo da Diocese de Garanhuns, Dom Paulo Jackson Nóbrega de Souza, que com sua contribuição muito tem enriquecido este espaço de formação e aprofundamento. 

“Cada Papa que passa deixa um contributo impressionante (...), cada um deixa uma marca importante (...), mas, ao mesmo tempo, obviamente, cada Papa tem também a sua originalidade”: são considerações do bispo desta Igreja particular do agreste meridional de Pernambuco acerca do Pontificado do Papa Francisco, ao tratar da contribuição da Igreja na América Latina para a Igreja no mundo inteiro.

Com o primeiro Sucessor de Pedro filho da América Latina temos “um Papa que esteve e está acostumado a compreender a realidade de pobreza, e mais do que pobreza, de desigualdade social presente no mundo”, afirma Dom Paulo, observando que “uma coisa importante é não fazermos uma hermenêutica de ruptura do Pontificado do Papa Francisco.

O bispo da Garanhuns afirma ainda que a originalidade do primeiro Papa oriundo desta porção do continente americano precisa ser compreendida como uma contribuição específica fruto de um processo de maturação da teologia e da eclesiologia elaboradas na América Latina. Vamos ouvir (ouça clicando acima).

(RL)

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Recém-casado? Pode encontrar o Papa nas Audiências Gerais

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Cidade do Vaticano  – As Audiências gerais concedidas pelo Papa são uma oportunidade ímpar para estar perto do Papa e, quem sabe, até ganhar um abraço. 

Um setor específico a qual Francisco costuma dispensar especial atenção é o dos “recém-casados”. Para ter acesso a este local, é preciso estar vestido a caráter, ou seja, fraque e vestido de noiva.

Os ingressos dedicados aos recém-casados podem ser solicitados com antecedência também a partir do Brasil. Basta acessar o site da Prefeitura da Casa Pontifícia, baixar o módulo específico e seguir as orientações.

Sonho realizado

Hoje recordamos a entrevista de Renan e Maylla Alves, um jovem casal de Campinas (SP), que realizou o sonho de estar perto e conversar com o Papa Francisco.

“O setor estava tranquilo, os jovens cumprimentavam o Papa e, em seguida, davam espaço ao próximos”, disse Maylla.

“O olhar dele nos transpassou”, revelou Renan.

(je/rb0)

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Atualidades



Rebelião em Manaus: Arquidiocese acompanha e pede orações

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Cidade do Vaticano (RV) - Uma rebelião no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, iniciada na noite de domingo, deixou dezenas de mortos. Segundo fontes da Polícia Militar, a guerra interna entre duas facções criminosas pelo tráfico de drogas já registrou entre 50 e 80 mortos, mas ao que tudo indica, os números podem ser mais altos.

Em sintonia com o Papa Francisco, no Dia Mundial da Paz, a Igreja em Manaus, por meio do Arcebispo, Dom Sérgio Castriani, e os auxiliares, convidava a população à atitudes de não-violência. A mensagem do Papa estava sendo lida em paróquias e comunidades da Arquidiocese. Conosco, o bispo auxiliar, Dom José Albuquerque de Araújo:

A voz da Igreja que está em Manaus é de grande lamento e profunda tristeza; estamos todos unidos em oração: padres, diáconos, agentes de pastoral, nós bispos, os agentes de pastoral carcerária. Todo mundo está se mobilizando em oração e pedindo para que esta situação se resolva o quanto antes. Sabemos dos grandes desafios dos cárceres no Brasil, e aqui em Manaus não é diferente. Esta situação nos traz muita tristeza e apreensão. A cidade toda está em alerta. Está todo mundo acompanhando as notícias locais". 

"Esperamos que os nossos governos, estadual e municipal, e nossas polícias, possam chegar a um acordo e resolver esta situação o quanto antes, para o bem dos que estão presos, que muitas vezes são vítimas da própria violência, e também dos familiares que acompanham com muita apreensão, tristeza e medo que a situação perca o controle".

"Nós estamos todos rezando e lembrando as palavras do Papa Francisco em sua mensagem. Em todas as comunidades aqui de nossa Arquidiocese elas foram lidas, refletidas e rezadas e de fato, esta é uma situação muito triste e que nos lança um grande desafio, de tratar a situação em nossos presídios com serenidade e muita justiça, respeitando os direitos humanos e procurando fazer com que a paz aconteça nos cárceres, o que não está acontecendo aqui em Manaus e em nosso país”.

Ouça a entrevista completa clicando aqui: 

(CM)

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Cristãos e muçulmanos atingidos e unidos contra o terrorismo

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Ancara (RV) – Além de expressar sua proximidade ao povo turco em referência ao recente atentado de Istambul, reivindicado nesta segunda-feira (2) pelo autoproclamado Estado Islâmico que vitimou 39 pessoas, o Papa Francisco lançou um apelo durante o Angelus para “enfrentar a chaga do terrorismo”. 

Sobre essa “mancha de sangue que envolve o mundo com uma sombra de medo e desânimo”, a Rádio Vaticano entrevistou Dom Paolo Bizzeti, vigário apostólico de Anatólia, na Turquia, conhecida como Ásia Menor. Ele comentou a mensagem do Santo Padre no Dia Mundial da Paz sobre “assumir a não-violência como estilo por uma política de paz”.

Dom Paolo – Acredito que as palavras do Papa tenham claramente expressado o sentimento de toda a Igreja católica, ou seja, a proximidade a esse grande e glorioso povo num momento extremamente difícil da sua vida. O Papa manifestou os sentimentos de todos nós católicos que vivemos na Turquia. Estamos profundamente entristecidos com o que está acontecendo e profundamente preocupados pela série de atentados que minaram a tranquilidade da nação.

Contra o terrorismo, forte cooperação entre nações

RV – Nesta manhã, a reivindicação pelo atentado do autoproclamado Estado Islâmico. No domingo, inclusive o Papa, durante o Angelus, denunciava esse terrível tormento do terrorismo.

Dom Paolo – Nos últimos anos, acredito que, infelizmente, foi subestimada a periculosidade do que está acontecendo no Oriente Médio, com o autoproclamado Estado Islâmico, de maneira especial. Talvez se tenha esperado muito, visto que já existiam tantos sinais dessa crueldade totalmente estúpida e totalmente desumana. Acredito que seja realmente necessária uma forte cooperação entre todas as nações dessa área para cortar as raízes desse terrorismo que são o comércio das armas, a inércia no enfrentar esse autoproclamado Estado Islâmico... É necessário que todos se manifestem com grande clareza e, sobretudo, com ações muitos fortes.

RV – Um outro dado que emerge e que, entre outras coisas, o Papa sublinhou mais de uma vez, é que as vítimas do terrorismo são todos: cristãos e muçulmanos, sem distinção. E vemos isso também na Turquia, em diversas ocasiões.

Violência em nome de Deus não é legítima

Dom Paolo – Exato. Esse talvez seja o aspecto que, às vezes, na Europa, é subestimado. Quem paga o preço mais alto dessas tragédias e desse Estado Islâmico, também na Síria, não são os cristãos, mas os próprios muçulmanos. Vejo que as pessoas, também aquelas mais simples, estão vivendo um drama muito forte porque essa gente diz agir em nome de Alá. Também por esse motivo eu dizia que é necessária uma mobilização das consciências e uma mobilização religiosa e, como o Papa disse mais de uma vez, é preciso que seja sempre mais claro a todos que a violência em nome de Deus não é nunca legítima.

RV – O pequeno rebanho, a comunidade cristã na Turquia, como está vivendo essa situação dentro de uma problemática que acaba se referindo a todos? Em particular, como estão vivendo os cristãos?

Dom Paolo – Por esses aspectos, eu diria que os cristãos vivem aquilo que vivem todos. Existe dor, desânimo, medo, incerteza. Perante esses episódios de terrorismo, eu diria que somos todos iguais: certas barreiras são derrubadas porque todos são atingidos de maneira indiscriminada.

(Alessandro Gisotti/AC)

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